sexta-feira, 23 de agosto de 2013

Andar de carro


“Ela não disse que me ama”, mas será que não fez algo que demonstrasse isso?
“Ele não quer ir a determinada festa”, mas talvez não queira ficar em casa abraçado assistindo filme?
“Ele não sente ciúmes”, e quem disse que isso é prova de amor?
“Ela não posta fotos com declarações”, são os outros que precisam saber o tamanho desse amor?

Precisamos entender que o amor preenche, mas não sufoca; completa, mas não é único ingrediente necessário. Fazendo uma comparação grotesca, os relacionamentos são como carros, não basta somente a gasolina ou o álcool, ele precisa ser revisado, conservado, pois sem manutenção não há tanque cheio que faça ele andar. Algumas pessoas preferem trocar quando com começa a dar muito problema e com relacionamentos não é muito diferente. Não será mil maravilhas o tempo todo. O carro protege da chuva, mas não dá pra não molhar ou passar frio ao descer dele, assim como alguma coisa não vai agradar no relacionamento. O sinaleiro existe para esperarmos, para mostrar quando é hora de parar, de ter atenção e de prosseguir, assim como as relações necessitam desse olhar! Acidentes acontecem e determinam se haverá concerto ou perda total do veículo, assim são os erros que todos, mais cedo ou mais tarde, acabam cometendo. Gosta do seu carro? Cuida! Quer o conforto de andar de carro, lute para isso! Pode ser uma analogia, mas e daí? Para mim faz sentido, principalmente pelo fato de estar sem carro no momento!

quinta-feira, 9 de maio de 2013

Parábola - Sua missão continua

       Certa vez, de forma inesperada, uma mãe perdeu uma filha de três anos de idade. A criança não era filha única e desencarnou deixando na terra sua mãe e seus irmãos. Durante muito tempo a mãe se revoltou com Deus. Não aceitava o que tinha acontecido, chorava muito e não achava justo ter que passar por aquela perda. Deus na sua infinita misericórdia, passado seis meses de clamor e revolta, concedeu que a mãe reencontrasse a filha através de um sonho.
       O lugar era lindo, muito parecido com um grande jardim, verde cheio de flores de várias cores. Havia várias crianças brincando de roda perto de um riacho de águas cristalinas que emitia um som tranquilo que se misturava à canção das crianças. Ao longe avistou sua filha sentada em um canto e correu para abraça-la. Nem a observou direito, pois a saudade era tanta que sua única vontade era beijá-la, abraça-la, dizendo que sentia muita sua falta e que estava muito feliz em vê-la.
       Quando olhou de verdade para a criança, notou que ela estava com a roupa molhada, que a filha tinha um olhar triste, uma expressão desolada, rosto pálido, sem cor, sem vida. Um verdadeiro contraste com aquele lugar onde se encontravam.
       Então se deu conta e perguntou: - Minha filha, você que sempre foi tão alegre, por que está assim? Por que não está brincando com as demais crianças?
       A filha com todo carinho, olhou no fundo dos olhos dela e respondeu: - Mamãe querida, Deus nos concedeu três lindos anos juntas, ao seu lado e dos meus irmãos eu fui muito feliz, mas nosso Pai tinha outros planos para mim e me chamou de volta. Porém cada vez que você chora, molha minhas vestes, me entristece, cada vez que lamenta suga mais minha energia vital e me empalidece.
       A mãe sentida disse: - Nunca imaginei que você pudesse estar assim minha filha, me perdoe?! É que eu sinto muito sua falta.
       A filha sorrindo disse: - Também sinto saudades, mas estou sempre com vocês. Mãe, minha missão terrena terminou, a sua não. Não se esqueça dos meus irmãos, você ainda tem muito que fazer por eles, eles precisam muito de você. Eu não preciso mais, a não ser da sua felicidade e de suas preces.
       A mãe abraçou a filha por um longo tempo e acordou assustada, mas com uma sensação muito boa. Entendeu o que precisava fazer dali para frente e agradeceu a Deus o presente que recebeu naquela noite.

"A gente não morre, quando há o desencarne a gente parte para viver de verdade, reassumir e retomar, cada dia melhor, o caminho que é nosso!"

       Que Deus nos conceda o discernimento e entendimento que os nossos sempre serão nossos mesmo não sendo nossos!

quinta-feira, 4 de abril de 2013

Um presente de Deus

Você veio como uma flor única em meio às gramas de uma casa sem jardim, nasceu ali em um cantinho perto da porta de entrada e fez meus olhos encontrar-te em meio ao nada. Deu cor, brilho e sentido à minha casa. Me fez querer ir lá fora única e exclusivamente para te ver, para sorrir ao ver sua beleza e inocência alegrando meu bairro inteiro, mesmo sendo uma flor única em uma casa simples.

Fiz questão de regar você mesmo ninguém te notando ou dizendo que seria apenas mais uma flor. De manhã, como efeito de mágica, eu te sentia voltada para a porta, para me ver sair, para me acompanhar, e na volta pra casa, voltada para a rua, para me ver chegar. A ansiedade em te ver me fez sentir um amor crescer em mim que eu nem lembrava que existia. Então, eu busquei enfeites para não te deixar sozinha, construí um “cercadinho” para flor e com certeza ganhei olhares de repressão quanto à dedicação, não excessiva, mas que você merecia e eu sabia que poderia te oferecer.

Foi duro perceber e ouvir que como flor, você iria me deixar, embora eu tenha dedicado meus cuidados, meu afeto e meu amor. Tentei não pensar no dia que isso iria acontecer, e me vi curtindo cada momento, passei a ficar mais na soleira da porta te admirando do que dentro de casa, passei mais tempo fora de mim, do que em meu casulo para sentar-me no chão contigo. Foi triste ver você murchando e tentei achar uma explicação para ter que ficar sem você, embora existisse tamanho carinho, de ambas as partes. Sim, eu sentia que uma flor, aquela flor, gostava de mim. E abrir a porta pela manhã e não te ver ali foi inconsolável; nem vestígios, nem uma pétala seca, nem um pedaço de galho, nada, absolutamente nada a não ser minha memória viva.

Desejei que você fosse uma daquelas flores artificiais para ter sua presença para sempre, mas entendi que você não me tocaria como me tocou, não teria o perfume que senti, não seria tão cheia de vida como pude presenciar se fosse de plástico. Entendi também que nosso tão pouco tempo de convivência serviu para me lembrar do tamanho amor de Deus por todos nós e do carinho especial que Ele tem pelos que sofrem. Ele foi capaz de me mostrar, através de você, que a felicidade está nas pequenas coisas, mas em especial dentro de nós, dentro da nossa forma de enxergar o que está à nossa frente. Compreendi que o amor é capaz de resistir à muita coisa, mas não sustenta tudo, as relações e as pessoas precisam estar, antes de mais nada, preparadas para amar. E que este amor também não brota no estalar dos dedos, mas no dia-a-dia, na convivência. Doeu sim não ter mais você por perto, mas compreendi que é preciso respeitar o ciclo das coisas, e entre sofrer por não te ter e lembrar os bons momentos, eu escolho as lembranças, para que elas me impulsionem cada dia mais em busca da felicidade de quem viveu intensamente.

Minha flor, meu pedaço bom do amor de Deus, obrigada pelas lições, tenho a sensação de que aprendi muito mais contigo em uma semana do que ensinei em todas as oportunidades que tive. Te desejo um jardim de felicidades e espero reencontrar-te nesta ou em outras vidas.