quarta-feira, 21 de março de 2012

'Carta'

Porque tem certas coisas que eu não entendo, onde você possa ver uma dificuldade eu vejo uma solução quando duas pessoas querem os obstáculos são menores, e se for pra cair caímos juntos, pois eu estarei com você, não te levarei por um caminho do qual nem eu gostaria de passar. Só quero tentar ser feliz, e sei que com você isso pode ser possível. Não quero ficar sentando em casa olhando praquela linda lua em noite estrelada e imaginar como poderia ser com você ali, imaginar como poderia ser se tivéssemos tentado, se tivéssemos agido. Não quero olhar para nós dois e ficar pensando como poderia ter dado certo. Às vezes eu me sento e me conformo com o tal término, mas espera ai será que era isso mesmo que a gente queria? Sei que vamos passar por vários obstáculos, mas a gente só tem a somar juntos, sim aprendi bastante com você, mas podemos aprender muito mais juntos. Posso estar sendo um pouco radical em virar para você agora e te dar esse banho de água gelada, mas preciso que você saiba do que eu sinto. Gosto bastante de você, construímos uma historia mesmo que por alguns dias, como te disse foi mágico, inexplicável.
Torço também pela sua felicidade. Se você se virar pra mim e disser que está com alguém eu vou te intender sei que a sua vida não se limita a somente a nossa historia, você e linda, educada, simpática maravilhosa pode ter varias historias. Mas sei que não e com grandeza que se ganha um amor e sim com pequenos detalhes feitos diariamente.

Sei que pode não ser fácil, mas se for pra ser darei o Máximo de mim para fazer valer a pena.

Ass: (...)

segunda-feira, 5 de março de 2012

Maduros e Libertos


Ana, minha querida,

Dizem que o amor acaba, que o amor termina, mas não é verdade. Nada acaba, tudo dura, continua e se transforma.
Enquanto eu aguardava aquela cirurgia, mil anos se passaram. As duas estavam la dentro e eu pensava "Se acontecer alguma coisa com elas, eu morro". Dizem que passa um filme da nossa vida na nossa cabeça e por isso eu vi, vi vocês duas meninas chegando na nossa casa; vi nós três juntos ainda pequenos em tantos e tantos momentos; vi você erguendo taças, troféus, tua imagem na revista inacessível, distante da criança que eu era e que você era também. Depois a nossa fuga de casa, vi nosso medo, vi nossa coragem, vi o salto sem rede que tantas vezes se chama amor. Vi você indo embora, sendo levada de diferentes formas, tantas e tantas vezes e depois vi você voltando, vi no fundo dos seus olhos como num rio, tudo que a gente não tinha vivido. A partir dai eu me vi dividido entre dois amores, entre duas vidas, uma que eu tava vivendo e outra que eu jamais tinha pudido viver. Durante alguns dos piores momentos enquanto eu aguardava naquela sala, como se a doença da nossa filha tivesse me curado eu entendi que não tinha mais divisão nenhuma o que tinha sido vivido, o que tinha ficado pra trás, tudo, era parte de uma mesma história, de uma mesma vida e de um mesmo sentimento, amor.
E foi então que eu vi, nós dois juntos cruzando a fronteira, como se tivesse alcançado a outra margem de um rio. O rio onde a gente se amou pela primeira vez, o rio do meu acidente, mas sempre um rio. E porque naquele momento eu precisava ser forte, finalmente e sem escapes eu consegui atravessar aquele rio eterno, como se num instante eu tivesse vivido todos os anos que ainda estavam parados me esperando. Do outro lado da fronteira, que sem perceber, nós já tínhamos cruzado com uma infância compartilhada, uma adolescência truncada, uma juventude não vivida. Do lado de ca, dois adultos maduros, finalmente libertos daquele fardo pesado, mas que de lembranças, de sonhos antigos. Porque há novos sonhos do lado de ca da fronteira e agora podemos viver.

Ana e Rodrigo

(A Vida da Gente)