Certa vez, de forma inesperada, uma mãe perdeu uma filha de três anos de idade. A criança não era filha única e desencarnou deixando na terra sua mãe e seus irmãos. Durante muito tempo a mãe se revoltou com Deus. Não aceitava o que tinha acontecido, chorava muito e não achava justo ter que passar por aquela perda. Deus na sua infinita misericórdia, passado seis meses de clamor e revolta, concedeu que a mãe reencontrasse a filha através de um sonho.
O lugar era lindo, muito parecido com um grande jardim, verde cheio de flores de várias cores. Havia várias crianças brincando de roda perto de um riacho de águas cristalinas que emitia um som tranquilo que se misturava à canção das crianças. Ao longe avistou sua filha sentada em um canto e correu para abraça-la. Nem a observou direito, pois a saudade era tanta que sua única vontade era beijá-la, abraça-la, dizendo que sentia muita sua falta e que estava muito feliz em vê-la.
Quando olhou de verdade para a criança, notou que ela estava com a roupa molhada, que a filha tinha um olhar triste, uma expressão desolada, rosto pálido, sem cor, sem vida. Um verdadeiro contraste com aquele lugar onde se encontravam.
Então se deu conta e perguntou: - Minha filha, você que sempre foi tão alegre, por que está assim? Por que não está brincando com as demais crianças?
A filha com todo carinho, olhou no fundo dos olhos dela e respondeu: - Mamãe querida, Deus nos concedeu três lindos anos juntas, ao seu lado e dos meus irmãos eu fui muito feliz, mas nosso Pai tinha outros planos para mim e me chamou de volta. Porém cada vez que você chora, molha minhas vestes, me entristece, cada vez que lamenta suga mais minha energia vital e me empalidece.
A mãe sentida disse: - Nunca imaginei que você pudesse estar assim minha filha, me perdoe?! É que eu sinto muito sua falta.
A filha sorrindo disse: - Também sinto saudades, mas estou sempre com vocês. Mãe, minha missão terrena terminou, a sua não. Não se esqueça dos meus irmãos, você ainda tem muito que fazer por eles, eles precisam muito de você. Eu não preciso mais, a não ser da sua felicidade e de suas preces.
A mãe abraçou a filha por um longo tempo e acordou assustada, mas com uma sensação muito boa. Entendeu o que precisava fazer dali para frente e agradeceu a Deus o presente que recebeu naquela noite.
"A gente não morre, quando há o desencarne a gente parte para viver de verdade, reassumir e retomar, cada dia melhor, o caminho que é nosso!"
Que Deus nos conceda o discernimento e entendimento que os nossos sempre serão nossos mesmo não sendo nossos!