domingo, 15 de janeiro de 2012

Bipolaridade

Incrível como as emoções são difusas e extremistas. Curioso é como somos vulneráveis a elas.
Na segunda, logo cedo, o ônibus resolve passar mais cedo atrasando o atrasado, impossível não cerrar a sobrancelha. Mas no outro ônibus, que por sinal está mais cheio, há um idoso que nem te conhece, mas abre aquele sorriso, impossível não sorrir de volta.
Na quarta, que mais parece uma sexta, o cansaço já toma conta e o dia parece ter 48 horas. Na volta pra casa, na rádio toca uma música tipo baú de recordações, traz sensações e sorrisos inesperados, aquela boa saudade.
Na sexta, alguns esperam a diversão, mas na verdade, você só quer esquecer a semana inteira. Daí surge um convite que mais está pro não do que pro sim e eis que a noite é mais cheia de risadas do que um teatro com uma peça de stand up.
No domingo, depois de um sábado descansando, o almoço tem tudo para ser o mesmo, massa, louça pra lavar e tédio, porém você é resgatado do mundo de sei lá quem por uma criança, por um sorriso sincero e um olhar carinhoso que faz sua semana valer a pena só por aquele momento.
É justo reclamarmos desta bipolaridade? E não é mesmo verdade aquela frase: Depois da tempestade vem a abonança? Perceba o quão egoísta somos ao pretender ter uma semana de maravilhas. Que graça teria? Ouso dizer que na segunda se o ônibus não tivesse atrasado você não ganharia um sorriso, na quarta 'carregada' você não aliviaria a tensão com música, na sexta não teria motivos para sair e no domingo não prestaria atenção aos presentes do fim de semana. Digo com certeza ainda que se não fosse a semana que tive, não existiria esse texto. E o que para muitos não fará sentindo, para outros será o óculos da vida!

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